Projeto de Extensão do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF) que reúne estudantes apaixonados por esporte, com o objetivo de produzir conteúdo esportivo em diferentes plataformas. Supervisão: Professora Gilze Bara; Apoio: Professor Gustavo Burla; Estudante bolsista: Mateus Oliveira
A Conferência “Flamengo: a invenção do clube mais querido do Brasil nos anos 1930”, ministrada pelo Professor Adjunto de História do Brasil Republicano da Universidade Federal Fluminense (UFF), Renato Soares Coutinho, foi realizada quarta-feira, 16, no Anfiteatro 3 do Instituto de Ciências Humanas (ICH) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A pesquisa é fruto da tese de Doutorado feita sob orientação do Professor Titular da Universidade Federal Fluminense, Jorge Ferreira, que também esteve presente no evento. A ideia central foi falar um pouco sobre o futebol carioca, com ênfase no Clube de Regatas do Flamengo, desde seu início, como um clube elitizado, até o final da década de 1930, quando passou a ser considerado “do povo”.
Renato Coutinho e Jorge Ferreira (Foto: Lara Valentim)
O principal objetivo foi explicar como um clube, no início do século XX, considerado elitizado, de uma área nobre do Rio de Janeiro, passou a ser popular e a ter uma torcida tão grande e apaixonada. Renato explicou que tudo isso passou por um presidente: José Bastos Padilha, que assumiu no início da década de 1930, reverteu a distribuição das torcidas no país, alavancou o Flamengo com atitudes inovadoras, como a criação da Gávea, aumentou o número de sócios e a receita do clube, passou a incluir negros no elenco – o primeiro contratado foi Leônidas da Silva –, trouxe a imprensa para perto e foi tornando o clube cada vez mais acessível e popular.
Fotos: Lara Valentim
“O Clube de Regatas do Flamengo, ao longo do século XX, mostrou que pesquisas de popularidade indicaram que o clube era a agremiação esportiva mais constante no quesito popularidade. Um elemento importante para entender a história do Brasil a partir do desporto são os usos das narrativas dos discursos nacionalistas do estado por parte dos clubes de futebol e, nesse caso, mais especificamente o Flamengo como sendo o que mais se apropriou de um discurso nacional, de um discurso baseado na noção de integração nacional, mestiçagem, conceitos que eram muito caros para os intelectuais modernistas brasileiros”, explicou Renato.
Padilha ficou no Flamengo até 1937, tornou o clube popular e até hoje é um nome de referência para muitos. Outros nomes importantes nesse processo foram os de Mário Filho, Roberto Marinho, Ary Barroso e José Lins do Rego.
Domingo, dia oficial de descanso, dormir até mais tarde, ficar naquela preguiça boa que repõe a energia gasta durante toda a semana… Eu poderia ter dormindo até às 10h, curtido um dia tranquilo… Mas me juntei a outras tantas pessoas que se puseram de pé antes das 7h para organizar e participar do 6° Trilhão de Descoberto.
No início era só uma produção para a faculdade, mas, no decorrer do dia, tornou-se uma das minhas maiores aventuras. Afinal de contas, somente uma estudante de jornalismo apaixonada desce um barranco a pique com capim até o joelho e se dispõe a, literalmente, comer poeira. Tudo pela matéria? Eu diria que tudo pelo amor à profissão e, principalmente, ao esporte.
Entrevistei equipes de cidades vizinhas, como Rochedo de Minas, Cataguases, São João Nepomuceno e até mesmo trilheiros do Rio de Janeiro. Quanta disposição pra correr em pleno domingo com o sol rachando. Conheci a Mari, trilheira de Guarani, e me emocionei com a pequena entrevista: “Vou para as trilhas todos os fins de semana e, muitas vezes, sou a única mulher entre centenas de homens, mas eles nunca desfizeram de mim, pelo contrário, sempre me ajudaram muito” – neste pequeno trecho da nossa conversa sorri orgulhosa por ver que estamos sendo aceitas em todos os esportes, independentemente do grau de dificuldade que eles nos impõem.
No meio de tantos motociclistas, havia algumas crianças brincando com suas motos pequeninas, começando a trilhar o caminho do esporte. Entre elas, uma menina de apenas 12 anos, Luiza, acompanhava seu pai em mais uma trilha. E não foi a primeira vez que eu a vi em eventos do tipo. O amor pelo esporte transpassou gerações, do pai para a filha, que o acompanha há seis anos pelos caminhos da vida. E se engana quem pensa que Luiza não passou pelos pontos mais difíceis do trilhão… A pequena encarou bravamente cada um dos obstáculos e deixou muitos companheiros pra trás. Quanto orgulho da Luiza!
Em busca dessas e de outras histórias, encarei as trilhas – não em cima de uma motocicleta, porque a coragem desta jovem estudante não permitiria tal ato, mas na caçamba de uma caminhonete. Fomos em busca dos pontos que nos davam vista privilegiada para a competição. Mal sabia eu que meu maior desafio não seria superar as adversidades do caminho, mas as minhas próprias dificuldades. A temperatura passava dos 30 graus, não tinha uma nuvem no céu. E sombra? Só as das pequenas árvores no meio dos pastos. E por falar em pastos, quanta coragem esses trilheiros têm pra subi-los… Eu mal conseguia enxergar o topo dos morros e lá estavam eles, subindo a se perder de vista. No sobe e desce dos morros, quem decidiu cair foi a pressão; a tontura chegou e os minutos pra sentar e respirar pareciam eternos.
O cansaço valeu a pena, as queimaduras de sol, também. As marcas pelo corpo, mais ainda! No final do dia, agradeci por realmente me encontrar no caminho certo, o de contar histórias. E mais ainda, por ter tido a chance de ver que, além do tão amado futebol, outros esportes carregam tanto amor que é impossível não se apaixonar.
Sábado, 12 de outubro de 2019. Um dia para eu levar sempre comigo. Minha primeira vez no Maracanã. Como todos sabem, meu coração é palmeirense e nunca irei esconder isso. Mas na noite de 12 de outubro, eu vivi uma das melhores experiências no futebol. E não foi vendo meu time do coração. Fui com meu pai assistir Fluminense x Bahia. Meu pai é tricolor. Não ia ao estádio ver o Fluminense desde os anos 80. E quando foi, para estar ao lado dos primos, ficou na torcida do Botafogo. Sábado ele estreou ficando na torcida do Flu. E cara, foi muito especial para mim e para ele. Ao entrar no Maracanã, ele já começou a se emocionar e a agradecer por eu estar lá com ele. Mas o momento mais especial foi o do gol. Ele chorou de emoção. Um jogo simples do Campeonato Brasileiro fez ele se emocionar. E eu, por mais que não seja Fluminense, me emocionei também. Mexeu demais comigo ver meu pai, aos 55 anos, comemorando pela primeira vez um gol do seu time no estádio. O futebol e suas histórias. Nunca será somente futebol. O futebol é muito mais. É emoção. É sentimento. É alegria e tristeza às vezes. Uma derrota no final de semana pode fazer sua semana ficar ruim. Serei eternamente grato por amar este esporte. O futebol está dentro de mim e, se Deus quiser, ainda poderei me emocionar várias outras vezes, sozinho ou ao lado do meu pai.
Sobe Segura firme Gira Pra um lado e pro outro Larga, retoma Voa por cima da barra Uma, duas, três vezes Como se não fosse suficiente, voa uma quarta vez com direito a diversas piruetas no ar (fazendo nosso coração ficar em suspenso) Elegância, força, precisão. E finaliza com uma saída espetacular
Chora, Arthur Nory!
Chora e comemora muito!
Você é campeão mundial de ginástica artística na barra fixa!
OBS: tão linda quanto a prova dourada, foi a comemoração de Nory ao acabar de competir!
Por Gilze Bara
Nory beija a medalha de ouro conquistada na barra fixa (Foto: Reprodução de imagem SporTV)Brasileiro Arthur Nory é campeão mundial em Stuttgart, Alemanha (Foto: Reprodução de imagem SporTV)
Diante das idas e vindas de técnicos nos últimos meses, o Cruzeiro ainda não conseguiu deslanchar no Campeonato Brasileiro e segue com chances de rebaixamento.
Após pouco mais de três anos, Mano Menezes comunicou sua saída do clube mineiro. Logo depois, chegou Rogério Ceni, cogitado a salvar o time da degola por sua experiência de sucesso no Fortaleza. Porém deixou o cargo em menos de dois meses.
A saída do último técnico foi polêmica e ganhou grande repercussão, depois de Thiago Neves, camisa 10 do time, dar uma entrevista criticando o atual comandante da equipe celeste. O meia rejeitou as mudanças feitas no jogo contra o Internacional, pela semifinal da Copa do Brasil, no qual o time cruzeirense perdeu por 3×0. Ceni deixou o zagueiro Leo no banco e optou por Ariel Cabral, além de improvisar Henrique na zaga.
Diante dessa confusão, Marcelo Dijan, dirigente de futebol do Cruzeiro, tentou amenizar a situação dizendo que houve conversas entre a comissão e os jogadores para resolver o mal-entendido – o que foi desmentido por Rogério. Depois desse episódio, a crise piorou, até que houve uma conversa para decidir o futuro do técnico, que, previsivelmente, deixou o cargo e voltou ao Fortaleza.
O goleiro Fábio disse em entrevista que os nomes mais experientes do time participaram e influenciaram na chegada do técnico. Porém, esses mesmos nomes foram os principais responsáveis pela sua saída – foi possível perceber a força dos jogadores no clube, considerados atores importantes na decisão.
Após duas mudanças de comando, Abel Braga chegou na última semana para o jogo contra o Goiás, em Goiânia. A expectativa era de uma postura mais ofensiva para conseguir escapar do temido rebaixamento. Em 98 anos de história, o time celeste nunca foi rebaixado, fato que pode ser mudado ainda neste ano, segundo os matemáticos da UFMG. Os estudiosos afirmam existir 65% de chance de o time cair para a série B e, para reverter esses números, a equipe precisa de mais de 50% de aproveitamento nas próximas partidas.
O fato de precisar de mais da metade de aproveitamento em campo preocupa, pois os últimos gols – especificamente três – foram de pênalti, o que mostra o péssimo desempenho ofensivo do time, que continua dependente do atacante Fred, principal artilheiro na temporada, com 20 gols.
Últimos jogos
A última vez que o Cruzeiro conquistou três pontos em um jogo foi contra o Vasco, no Mineirão, no dia 01 de setembro. O time se impôs em campo na maior parte do tempo e conseguiu a vitória com folga. Após alguns lances perigosos do adversário, houve o maior perigo: pênalti para o Vasco. Porém o goleiro Fábio acertou o lado da cobrança e defendeu o chute de Pikachu. Já no segundo tempo, o jovem Maurício balançou as redes para o time da casa.
Após esse marco, o Cruzeiro perdeu de 4×1 para o Grêmio, no Independência – com o mando de campo – e do Palmeiras, por 1×0, no Allianz Parque. Em seguida, pela vigésima rodada, sofreu mais uma derrota, dessa vez para o líder do campeonato, o Flamengo. Prosseguindo o jejum de vitórias, empatou com o Ceará por 0x0 e perdeu para o Goiás, no Serra Dourada. Vale ressaltar que o time goiano lidera a classificação do returno, com 100% de aproveitamento, seguido por Flamengo e Corinthians.
No fim de semana, a equipe mineira empatou com o Internacional em 1×1. Depois de sofrer o primeiro gol, Orejuela caiu dentro da pequena área após uma disputa de bola com Patrick, meia do Inter. O VAR interpretou como pênalti e a cobrança foi batida por Fred, que não desperdiçou a chance e fez o gol.
O último jogo, na noite dessa quarta-feira, poderia ter sido diferente do resultado final. Aos seis minutos do segundo tempo, Fred teve um gol anulado pelo árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima, que consultou o VAR para rever o lance e decidiu invalidá-lo. Alguns profissionais da área não concordaram com a decisão do juiz, como Sálvio Spinola, do Sportv.
Fred chegou a marcar para o Cruzeiro, mas teve gol anulado após consulta do árbitro ao VAR (Foto: Ramon Lisboa/EM D.A Press)
A próxima partida cruzeirense será contra a Chapecoense, em Chapecó, no domingo. A expectativa continua sendo de quebrar o jejum de vitórias.
A luz da esperança
Egídio aposta na reação cruzeirense. Em entrevista coletiva na Toca da Raposa, o lateral pareceu confiante: “Nós já nos comprometemos ali, nos fechamos sobre isso. De tantas glórias e conquistas que tivemos no Cruzeiro, nós não vamos deixar, de jeito nenhum, isso acontecer. O Cruzeiro nunca caiu e não vai ser com a gente que vai cair. Tenho certeza disso. Não vamos deixar essa imagem do Cruzeiro, que resplandece, se apagar na Série A.”
O Cruzeiro não vence há sete rodadas no Campeonato Brasileiro, tendo sofrido cinco derrotas e empatado duas vezes.
A homenagem ocorreu durante a quinta etapa do Campeonato Mineiro de Taekwondo, realizada em Ribeirão das Neves (MG), na região metropolitana de BH
Dani durante juramento do atleta na abertura do Campeonato Mineiro de Taekwondo. (Arquivo Pessoal/Danielly Vitória)
Tetracampeã brasileira de taekwondo aos 16 anos de idade, a atleta juiz-forana Danielly Vitória segue colhendo conquistas de um sonho que se iniciou quando ainda era criança, aos 4 anos de idade. Dani, como popularmente é conhecida, foi homenageada pela Federação de Taekwondo do Estado de Minas Gerais (Ftemg), no final de setembro, durante a quinta etapa do Campeonato Mineiro de Taekwondo, realizada em Ribeirão das Neves (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte. Uma ação motivada pelo fato de a atleta ter sido uma figura importante ao representar o estado de Minas Gerais em relevantes competições no país e também no exterior.
Dani, natural da Zona Norte de Juiz de Fora, está passando temporada em São Caetano do Sul (SP) visando à participação na Olimpíada de 2024 e, integrando sua equipe, a Two Brothers Team, a lutadora fez o juramento do atleta na abertura do Campeonato Mineiro de Taekwondo. Ela recebeu, ainda, uma medalha da entidade estadual da modalidade.
A atleta juiz-forana também recebeu uma medalha da FTEMG pelos títulos conquistados neste ano (Arquivo Pessoal/Danielly Vitória)
“Eu fui prestigiar o evento, e eles me homenagearam devido aos meus títulos desse ano. Eu fiquei também para a abertura da competição, representando todos os atletas mineiros, o que para mim teve um significado muito grande porque eu pude incentivar os outros atletas, as crianças que estavam lá, a nunca desistirem dos seus sonhos”, diz Dani.
A tetracampeã brasileira agora continua a rotina de treinamentos por conta das competições de fim de temporada, como a Copa do Brasil de Taekwondo, prevista inicialmente para ocorrer em novembro.
Natália Salles começou a treinar após perder parte de sua audição e tem se destacado no esporte
Natalia Salles no Centro de Treinamento Foto: Isabele Barbosa
Natália Salles começou a praticar Jiu-Jitsu aos 5 anos, quando já se destacava na natação. Porém, ao desenvolver uma perda auditiva – que prejudicou quase 40% de sua audição –, precisou mudar de esporte, como ressalta o pai Flávio Salles: “A Natália foi impedida de fazer natação por causa das cirurgias consecutivas no ouvido, lembrando que a natação é um exercício perfeito, só que, por causa do problema dela, não rolava”.
Foi assistindo ao programa televisivo de Angélica, que transmitia reportagem sobre o ator Malvino Salvador, que é casado com a atleta de Jiu-Jitsu Kyra Gracie, que a menina enxergou uma nova possibilidade no esporte: “Eu comecei assistindo vídeos de Jiu-Jitsu na internet e me apaixonei. Meu pai me apoiou e daí entrei numa academia perto da minha escola, com a ajuda dele”, conta Natália. Além de seus esforços no esporte, ela se dedica também à escola. “Eu treino todos os dias, de manhã e depois da escola. Tenho horário para cada coisa”, afirma a pequena atleta.
“Meu maior orgulho é ver minha filha saudável, com 100% de audição”, ressalta o pai, que, por incentivo da filha, voltou aos tatames e hoje é professor desse esporte na academia Power UP. Com o apoio dos pais, Natália foi se empenhando nas aulas e se consagrou nos muitos campeonatos dos quais participou. Ao todo, a atleta já conquistou 20 medalhas – 16 lutando e 4 por WO (quando a adversária não comparece).
A carreira de Nati é monitorada de perto por família e professores. Com esse apoio, a menina de apenas 11 anos vai conquistando espaço no Jiu-Jitsu da região.
Em partida disputada, Tupi perde de 5×2 (Foto: Reprodução/ Tupi)
Em partida disputada na noite dessa segunda-feira (30), no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, o Tupi sucumbiu diante do Atlético Mineiro e foi derrotado por 5×2 no primeiro jogo da final do Mineiro sub-20. Com o resultado, a equipe Carijó terá que ganhar de quatro gols de diferença em Belo Horizonte, no sábado (5), se quiser se sagrar campeã. Pelos critérios de desempate, a decisão só irá para os pênaltis se o time juiz-forano devolver o placar do primeiro jogo.
1º Tempo
Com grande parte do público ainda do lado de fora do estádio, devido a problemas com a carga de ingressos, o jogo começou com o Tupi abrindo o placar no primeiro minuto de jogo com Cazares, de cabeça. Não demorou muito e, cinco minutos depois, o Atlético empatou com Giovani. Aos 24, veio a virada. Com bela cobrança de falta, Castilho marcou. O jogo continuava com ameaças dos dois lados, mas com a equipe de Belo Horizonte chegando com mais perigo de fazer o terceiro.
2º Tempo
Na tentativa de reverter o placar dentro de casa, o técnico Wesley Assis mexeu na equipe para a segunda etapa. Colocou em campo o atacante Patrick, que perdeu boa chance logo no seu primeiro minuto de jogo. No lance seguinte, em bola parada, o Atlético fez o terceiro com Luiz Eduardo, de cabeça. O Galo Carijó não se deu por vencido e, aos 12, Patrick, que havia desperdiçado a oportunidade no início, não perdoou. O gol animou o Tupi, que saiu em busca do empate. Porém, aos 16, Mateus Santos freou a reação da equipe da casa, marcando o quarto. O time de Juiz de Fora se lançou desesperadamente ao ataque e, com isso, ofereceu espaços para os visitantes contra atacarem. Em um desses contra-ataques, o Atlético marcou com Mateus Santos novamente, em falha do lateral Jordan Kayke.
‘’Ainda estamos no campeonato’’
Em entrevista coletiva, o técnico do Tupi, Wesley Santos, afirmou ainda acredita que seu time pode reverter o placar: “É uma situação difícil, mas a gente acredita sim. Temos totais condições de fazer nosso jogo da vida e conseguir o resultado para sair campeão.”
Ainda segundo ele, a torcida não pode criticar a equipe, porque o resultado não refletiu o que aconteceu em campo. “Acredito que nossa equipe lutou e tentou propor o jogo. O torcedor que veio assistir ao jogo não pode criticar a equipe. Respeitamos o Atlético, mas acreditamos que o placar foi totalmente atípico”, complementou o técnico.
Público Segundo informações do Tupi, o público pagante no Estádio Mário Helênio foi de 900 pessoas, com 996 presentes. A arrecadação chegou a R$ 11 mil.
O jogo da volta da final será disputado no campo do Sesc Venda Nova, em Belo Horizonte, no próximo sábado, as 18 horas.
O Flamengo é, atualmente, o líder do Campeonato Brasileiro. O rubro-negro soma 49 pontos e conta com o melhor ataque da competição, com 47 gols marcados. Apesar da liderança, o clube carioca, quando ainda era comandado por Abel Braga, não teve um bom começo de primeiro turno. Vitórias magras contra Cruzeiro, Chapecoense e Athlético Paranaense no Maracanã não esconderam o mau rendimento coletivo da equipe que, pelo elenco milionário, tinha condições de entregar mais. Os jogos fora de casa foram a prova disso: empate com o São Paulo e derrotas para Internacional e Atlético Mineiro. Nesse último, inclusive, o time de Minas atuou com dez jogadores desde o primeiro tempo, após expulsão de Elias. Mesmo assim, os comandados de Abel Braga não conseguiram virar o jogo ou até mesmo chegar a um empate.
Além das limitações táticas que o Flamengo apresentou nessa partida no Estádio Independência, outro fator ganhou destaque na mídia: Jorge Jesus. O português estava no estádio, em um camarote, e assistiu ao jogo todo. Foi a primeira vez que a maioria dos flamenguistas viu o português. Sua presença, anunciada ao vivo pelos comentaristas do Premiere na transmissão, não chamou tanta atenção assim dos rubro-negros. Os próprios jornalistas especularam que Jorge Jesus estava no estádio para acertar com o Atlético Mineiro, que havia demitido o técnico Levir Culpi algumas semanas antes.
Na rodada seguinte, contra os reservas do Athlético Paranaense, novamente o Flamengo jogou muito mal e parece que só conseguiu ganhar do time curitibano por causa da força de sua torcida. Apesar do incentivo para os jogadores na arquibancada, os rubro-negros perderam a paciência com Abel Braga e pediram sua cabeça. O técnico pediu demissão no decorrer da semana seguinte ao jogo. E explicou o motivo: segundo informações que havia recebido, o Flamengo estava negociando com Jorge Jesus. Isso explicava a presença do português no Independência na rodada anterior. Apesar das questões éticas que cabem serem discutidas nesse comportamento da diretoria do clube carioca, a escolha por Jorge Jesus foi inovadora e provocou uma revolução na forma do Flamengo jogar – o clube virou líder com um futebol ofensivo e totalmente diferente do pragmatismo de anos anteriores.
Mas como joga o Flamengo de Jesus?
Jorge Jesus sempre foi conhecido em Portugal pela sua busca incessante ao futebol ofensivo. Fã assumido do antigo técnico holandês Johan Cruijff, o português usa o ídolo como referência, mas sem deixar de ser inovador e ter um estilo próprio. O Mister, como é chamado por jogadores e pela torcida, já deu declarações dizendo que não gosta de ler sobre futebol para não sofrer influências e ser o mais original possível. Para alcançar essa originalidade, ele estuda movimentos de outros esportes, como o basquete, para introduzir alguns comportamentos na maneira de jogar de seus times.
A primeira inovação do português é o esquema tático em si, ou seja, o posicionamento dos jogadores em campo. Ele costuma armar seus times em um 4-1-3-2. Mesmo com o boom de táticas baseadas no 4-3-3 e no 4-2-3-1, com apenas um centroavante fixo, que virou mania após os sucessos de Guardiola e José Mourinho, Jorge Jesus se manteve fiel à sua forma de jogar e não abriu mão dos dois atacantes.
Com essa formação, no Benfica, entre as temporadas 2009/2010 e 2014/2015, o Mister conquistou quatro Taças da Liga, dois Campeonatos Nacionais em Portugal e chegou à final de duas Ligas Europa. No Sporting, alcançou a maior pontuação da história da equipe de Lisboa no campeonato, mas acabou ficando em segundo lugar.
Jorge Jesus continua usando o 4-1-3-2 no Flamengo, mas com diferentes variações. Após as chegadas de Gérson, Rafinha, Filipe Luís e Pablo Marí, a equipe rubro-negra costuma ir a campo com a seguinte formação:
Neste desenho tático, percebemos claramente a construção do 4-1-3-2. Arão faz o papel de primeiro volante, responsável por cobrir os laterais na marcação e infiltrar pela direita quando tem liberdade. Gérson é o meia central – apelidado de “coringa” pelo comandante, o ex-jogador da Fiorentina é peça essencial no Flamengo, principalmente quando a equipe tem a bola. O camisa 8 fica responsável por construir o jogo e pode cair tanto pela esquerda, quanto pela direita ou pelo meio. Seu papel primordial é sempre aparecer como opção de passe para os meias abertos, Arrascaeta e Éverton Ribeiro. Esses dois, apesar de jogarem perto da linha lateral, tentam cortar para o meio o tempo todo, funcionando como meias atacantes. Com esse movimento, eles conseguem realizar uma jogada individual ou dar um passe em profundidade para Gabigol e Bruno Henrique. Além disso, os meias são peças importantes na saída de bola:
Quando o Flamengo parte com a bola do seu campo de defesa, Arrascaeta e Éverton Ribeiro aparecem imediatamente como opções de passe para Rafinha e Filipe Luís. Os dois laterais são os responsáveis pelas saídas nos lados, principalmente quando o adversário marca com muitos jogadores no meio de campo. Filipe Luís e Rafinha se posicionam na risca da linha do centro do gramado, com isso, Rodrigo Caio e Pablo Marí podem ou avançar com a bola se tiverem espaço ou dar a bola nos laterais. Arão recua para a linha de zaga e se transforma em opção de saída pelo meio se o adversário fechar os lados. Gérson novamente é o coringa, auxiliando todos os outros jogadores da defesa e do meio. Bruno Henrique e Gabigol usam suas capacidades de mobilidade para caírem pelas pontas, também ajudando os laterais e meias armadores.
No momento da marcação, Jorge Jesus recua Éverton Ribeiro e Arrascaeta e cola eles nos lados do campo. Arão e Gérson ficam no meio, fechando os espaços. Quando um jogador adversário está com a bola, o atleta do Flamengo que estiver mais próximo dele vai se aproximar para fazer uma pressão. O objetivo de Jesus é pressionar o rival ainda no campo de defesa dele, para que a bola possa ser recuperada pelo rubro-negro o mais próximo possível do gol.
Foi assim que saíram os gols contra o Palmeiras e Cruzeiro, por exemplo. A defesa adversária tentou sair jogando e Arão roubou a bola antes dela passar do círculo central; na sequência dos lances, o Flamengo conseguiu o gol. Defensivamente, o time do português fica dessa maneira:
A curiosidade é pelo revezamento dos dois jogadores que marcam na frente. No desenho, estão Bruno Henrique e Gabigol; mas durante as partidas, isso muda. Como a função de pressionar os zagueiros adversários não é tão cansativa quanto voltar para recompor a linha de quatro do meio, Arrascaeta e Éverton Ribeiro alternam o posicionamento defensivo com os dois atacantes. Isso faz com que o desgaste físico de voltar para marcar não afete tanto os meias, já que podem revezar com os atacantes. Para isso funcionar, Gabigol e Bruno Henrique precisam estar atentos. Percebendo que um dos meias não voltou para recompor a linha de quatro, um deles abre e se posiciona pelas pontas, preenchendo essa lacuna.
Apesar de jogar prioritariamente no 4-1-3-2, Jorge Jesus costuma mudar o desenho tático até três vezes durante uma mesma partida. Talvez essa seja a maior marca de seu trabalho até aqui e o que mais o diferencia dos técnico brasileiros, acostumados a usarem apenas uma tática. O português já utilizou 4-4-2, 4-2-3-1, 4-3-3 e 4-1-4-1. Em alguns jogos, como na vitória contra o Ceará, no Castelão, o Mister colocou a equipe para entrar em campo num 4-1-4-1; formação mais defensiva. A escolha por essa tática pode estar relacionada ao desgaste da equipe, que havia jogado no meio da semana. Para não arriscar, o Flamengo não pressionou tanto o adversário em seu campo, ficou mais atrás, saindo em velocidade, mas sem deixar de atacar. A escolha deu certo: vitória por 3 a 0. O 4-1-4-1 também foi usado outras vezes. Em campo, o time se posiciona dessa maneira:
O 4-2-3-1 e o 4-3-3 também são usados em determinadas situações. Para aproveitar a inteligência de Éverton Ribeiro, Jorge Jesus costuma deixá-lo mais solto pelo meio. Nessas ocasiões, ele usa um 4-2-3-1. Além de explorar a capacidade técnica do camisa 7, essa formação também faz com que a velocidade de Bruno Henrique se potencialize. O atacante fica posicionado pela direita e parte em velocidade pela ponta. No jogo contra o Palmeiras, no Maracanã, um dos gols saiu dessa maneira. Bruno correu com a bola até a linha de fundo e cruzou na cabeça de Arrascaeta, que aparecia no segundo pau.
O 4-3-3 é usado quando o time adversário está muito fechado. Arrascaeta é transformado em falso 9 e joga centralizado; os zagueiros adversários saem da área para caçar o camisa 14 e, quando isso acontece, eles deixam um buraco, que é aproveitado por Gabigol e Bruno Henrique. Essa tática foi usada em alguns minutos contra o Internacional, no Maracanã, pela Libertadores, e também contra o Cruzeiro, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro.
Jorge Jesus chegou no Flamengo no meio da temporada, durante a parada da Copa América. Sem conhecer profundamente o elenco e sem poder contratar jogadores com características que estava acostumado, o português mostrou uma grande capacidade de adaptação, e essas variações na forma de jogar são a prova disso. Ao invés de ficar preso ao seu fiel 4-1-3-2, o Mister entendeu as limitações do elenco e as dificuldades do Campeonato Brasileiro para apresentar todo seu repertório. O comprometimento tático dos atletas rubro-negros em qualquer situação dentre essas descritas anteriormente mostra que Jesus mudou o time do primeiro semestre da água para o vinho. A equipe que antes era uma bagunça coletiva virou exemplo a ser seguido. Toda a dedicação do português, que já confessou passar quase o dia todo no CT do Ninho do Urubu, é refletida nos bons resultados e no carinho da torcida. Gritos de “olê olê olê olê Mister Mister” são entoados por mais de 60 mil pessoas ao fim de todas as vitórias do Flamengo no Maracanã.
Nesse domingo, o time feminino da Ferroviária foi bicampeão brasileiro de futebol, em cima do invicto Corinthians, em pleno Parque São Jorge, repetindo o feito de 2013.
O equilíbrio entre as equipes foi o principal agravante para os dois empates. O primeiro por 1×1, em Araraquara, com gols de Aline Milena, para as donas da casa, e Erika para as alvinegras. No jogo decisivo, Luciana, goleira da Ferrinha, foi destaque do primeiro tempo e nas penalidades, pegando a batida de Tamires. E ainda teve o chute para fora de Ingryd.
Assim, as donas da casa só marcaram com Vitória e Gabi Zanoti. Já a Ferroviária balançou as redes com Luana, Aline Milene, Andreia e Gessica, fechando os pênaltis por 4 a 2.
Ferroviária levanta a taça do Brasileirão (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)
Quebrando expectativas e recordes
Nesta temporada, o Corinthians emplacou 28 vitórias consecutivas, um recorde mundial que irá para o Guinness Book – a marca anterior pertencia ao The New Saints, do País de Gales, que tinha 27 triunfos consecutivos.
A última derrota do time feminino alvinegro foi em 21 de março, contra o Santos, por 2 a 1, na segunda rodada do campeonato. Além do número de grande expressividade mundial, as corinthianas fizeram uma bela campanha pelo Brasileirão: 21 jogos disputados, com 18 vitórias, dois empates e uma derrota.
Outro destaque é o fato de Tatiele Silveira, técnica da Ferroviária, ser a primeira mulher a vencer a competição da CBF.
Futuro reecontro
A decisão do Brasileiro pode não ser o último encontro entre as equipes. Isso porque Corinthians e Ferroviária serão os representantes no país na Libertadores Feminina, que será disputada entre 11 e 27 de outubro, em Quito, no Equador.